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terça-feira, 12 de junho de 2018

Dia de Portugal - Nos Açores
 
Bem representativas do sentimento e do espírito Açoriano, as palavras do Presidente do Governo Regional (dos Açores), Vasco Cordeiro, proferidas na recepção ao Corpo Diplomático, no âmbito das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na presença de S.Exa o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Ponta Delgada - 09.06.2018.



“Em nome do Povo Açoriano, sejam todos bem vindos ao Palácio de Sant’Ana, sede da
Presidência do Governo da Região Autónoma dos Açores, para celebrarmos Portugal.
Há quase 600 anos que aqui estamos e, desde o início, a evidência foi que, aqui, Portugal é diferente.
Nuns casos, por nós, noutros, por outros, aqui, Portugal é diferente.
Não esquecemos de onde viemos, nem ignoramos onde estamos.
Mas, sobretudo, sabemos quem somos.
A História e a Geografia deram nos forma, mas é o “intenso orgulho na palavra
Açor”, nas palavras de Sophia de Mello Breyner, que dá o sopro de vida a esta identidade que empunhamos.
E esse orgulho não é vão, nem é vazio.
É, desde logo, o orgulho que pode ter, é o orgulho que tem quem aqui resiste.
A tempestades e a terramotos;  vulcões e a piratas;
De quem já resistiu à fome, às pragas, à solidão e, em alguns casos, ao esquecimento;
Resiste e persiste, reconstruindo, reerguendo, refazendo.
Esse é o orgulho de quem tem uma aguda consciência de si próprio.
E essa aguda consciência de nós próprios talvez por estarmos sós na vastidão do Atlântico ou, talvez, simplesmente, por em tantas voltas da vida, termos estado simplesmente sós, é, no fundo, quase como que a chama eterna, o fogo sagrado que anima o Povo Açoriano.
E neste “intenso orgulho na palavra Açor” está também o orgulho do que demos e do que damos pelo nosso País.
Demos Presidentes da República, cientistas e militares;
Demos embaixadores, ministros e escritores;
Demos pensadores, políticos e poetas;
Demos Homens e Mulheres desconhecidos que, nas Américas e não só, pelo seu suor e pelas suas lágrimas, afirmaram e afirmam Portugal aí;
Demos guarida ao último reduto da nacionalidade e fomos ponto de impulso para as batalhas pela modernidade;
Demos homens e demos jovens que, por Portugal, deixaram a sua vida num qualquer campo de batalha, e que, mesmo quando aí não deixaram a vida, em muitos casos, deixaram partes de si próprios, do corpo ou do espírito.
E tudo isto fizemos sem nunca impormos condições nem moedas de troca.
Tudo isto fizemos “com um intenso orgulho na palavra Açor”.
E, se tudo isso demos no passado, hoje continuamos a dar.
Os Açores são terra de mar.
Damos dimensão estratégica e damos importância pela terra que temos e pelo mar que trazemos.
Nesta nova fronteira, que já suscita a cobiça de muitos, Portugal é o que é, porque os Açores são o que são.
Damos empenho e damos território na construção de pontes e parcerias para a paz, para a ciência e para o conhecimento.
Damos testemunho de uma Autonomia que foi, é e quer mais ser por causa dos desafios que já venceu, mas, sobretudo, por causa dos desafios que quer vencer.
Damos presença em áreas de vanguarda da exploração e do conhecimento espacial, reforçando a importância e a mais valia de Portugal.
E é por tudo isto , e por tanto mais, que não podem restar dúvidas que, aqui, Portugal é diferente.
E não queremos que deixe de ser Portugal, mas também não queremos que deixe de ser diferente.
Porque esta nossa diferença não nos diminui em nada.
Porque, no fundo, é esta nossa diferença, do que somos como Povo e como Região, que faz Portugal mais forte!
E é por tudo isto que hoje digo, que hoje podemos dizer,
Vivam os Açores
Viva Portugal!”

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Caloura - São Miguel - Açores


Os cruzeiros da temporada primaveril de 2018 (Abril) também passaram pela Caloura e por toda a costa sul da ilha de S. Miguel. Todavia são mundos diferentes, que não se intersectam, e que vivem cada um de forma autónoma. A passagem do navio não comove nem os que estão na piscina ou restaurante do cais, nem os que estão no restaurante ou bar do hotel.   É apenas uma maravilha técnica que passa; sinal de civilização alheia que "pouco" resultou da nossa iniciativa, acção ou condução.
   
 
 
Caloura Hotel & Resort 





Não podemos determinar qual é o melhor recanto da ilha para veraneio. Essa avaliação depende sempre das referências pessoais ou culturais de cada um, dos seus requisitos de recreio e das sua memórias e experiências passadas. De qualquer forma, a Caloura está seguramente bem próxima dos locais cimeiros das preferências dos locais e de muitos estrangeiros.



 

 Convento da Caloura

"No formoso Vale de Cabaços, próximo do seu porto, entre as rochas moldadas pelo fogo dos vulcões, incessantemente batidas e galgadas pelo mar do Atlântico, ergue-se a ermida do convento da Caloura."
"(...) A história desta Casa Recoleta remonta a 4 de julho de 1525, altura em que a Vila Franca do Campo estava a sofrer com os malefícios da peste. Para escapar à devastação deste mal contagioso, um nobre varão chamado Jorge da Motta, Cavaleiro do Hábito de Avis, fugiu para uma quinta sua e aí criou a sua filha Petronilha da Mota, mais tarde, Maria de Jesus (nome religioso) que logo fez amizade com Maria dos Anjos. Estas decidiram servir a Deus na condição de se tornarem religiosas numa ermida em Santa Clara, em Ponta Delgada. No entanto, nunca chegaram ao destino inicial pretendido, pois ao chegarem ao cume da ladeira do Pisão e vendo no vale da Caloura uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição decidiram que tinha sido inspiração divina fazerem morada nessa mesma ermida. Viveram as duas companheiras na ermida, seis meses, numa clausura total. Só depois, outros peregrinos, ao verem a devoção das duas amigas, acabaram por se juntar a estas. Com a Bula Apostólica, o Convento passa a ser aceite oficialmente como mosteiro e aí, durante dez anos viveram 27 freiras. No entanto, como o mosteiro estava junto ao mar e era um lugar despovoado, as freiras temiam os piratas que naquela altura navegavam aqueles mares. Isto obrigou as freiras a se mudarem daquele mosteiro e, consequentemente, a fundarem um outro em Vila Franca, o Mosteiro de Santo André. Também mais tarde, outras freiras, da mesma Casa Recoleta da Caloura, fundaram o Convento de Nossa Senhora da Esperança, na cidade de Ponta Delgada. Ficou, deste modo, o Convento da Caloura deserto até ao ano de 1663, altura em que o Bispo D. João Pimenta D’Abreu deu licença aos Eremitas de Nossa Senhora da Conceição para o virem habitar, uma vez que o convento destes tinha sido destruído pelos sismos e vulcões que na altura assolavam as Furnas.   Atualmente pertence aos herdeiros de António de Albuquerque Jácome Correia. Classificado pelo Governo Regional como Imóvel de Interesse Público, o Convento da Caloura, é realmente uma obra religiosa de grande valor cultural, arquitetónico e patrimonial."
http://lagoa-acores.pt/

Pelo Cerco e pela Galera o ambiente não era muito diferente.

A "Primavera dos Navios Cruzeiro" no Atlântico Norte (Ponta Delgada - Açores - 2018)


Terminada a temporada de recreio das Caraíbas, há que mudar a frota de cruzeiro para o Mediterrâneo, para o Báltico e para os Fiordes. Pelo caminho estão os Açores e a Madeira. Antes paravam regularmente na última e esporadicamente na primeira. Na passada semana (última de Abril.2018) foram à volta de duas dezenas numa só semana em Ponta Delgada.




A notícia é usualmente espalhada com pompa e em tom triunfal, por aqueles locais que não metem o seu dinheiro naquele negócio nem vivem das receitas do turismo de cruzeiro. É verdade que se alugam na Ilha alguns autocarros, jipes e outros veículos, e que se vendem, na Avenida Marginal, bastantes "bonecas de folheiro" e cerveja fresca. Todavia poucos, ou nenhuns, expõem, lado-a-lado, os custos destas operações (totais, directos e indirectos) para a Região Autónoma e os proveitos líquidos que na Ilha ficam. Era também interessante comparar quanto paga (no total) cada navio da Transinsular, por tonelada de Deslocamento (displacement, loaded), por dia acostado ao cais de Ponta Delgada, e quanto paga um navio de cruzeiro destes (por tonelada do mesmo tipo de Deslocamento) e em período semelhante e no mesmo local.
Esperemos que, no fundo, depois de feitas todas as contas, não se esteja a pagar para estes cruzeiros pararem na Ilha.

Que existe algum efeito multiplicador nas paragens destes cruzeiros na Ilha, existe. Irão dar notícia deste (solarengo ou chuvoso) paraíso nas suas terras de residência. O que está por apurar é a taxa de adesão que se gera nesse auditório (quantos visitantes novos aparecerão por cada 1000 que passarem em cruzeiro na Ilha).

Imagem interessante (em baixo), com ambiente cosmopolita no Pesqueiro, quase como com o Mundo a desfilar aos pés dos banhistas de fim-de-semana.



Foto (em baixo) elucidativa do movimento do último fim-de-semana de Abril (2018) em Ponta Delgada. Desconhecemos a origem da foto, mas que representa bem o inusitado ambiente do dia, representa.


Em baixo: Navio Camberra em Ponta Delgada, em 1984. Foto: HdA
Em baixo: porto de Ponta Delgada em 1997 (à 21 anos), com 3 navios cruzeiro em simultâneo a partilhar o cais comercial e o da NATO.  Nessa altura considerava-se que o porto "chegava para as encomendas" e ainda sobrava. Depois mudou-se de opinião, construiu-se mais um cais e tentou-se mudar a realidade ("encomendado" mais navios) para provar que se justificava a mudança de opinião. Pelo meio ficou o grosso da despesa local (construção e manutenção) e o benefício para os operadores dos cruzeiros. Pelo meio ficou marginal receita local associada ao aluguer duns autocarros e jipes, da venda dumas "bonecas de folha" e dumas cervejas importadas.
Sobre o balanço desta operação boa parte da população Açoriana tem uma ideia proxima daquilo que por ali se passou e passa ... mas a coisa está feita, e ... "c'est la vie". Foto: HdA




Ponta Delgada (em baixo), em 2018, no seu dia-a-dia, com ou sem cruzeiros.

Parecia que os passageiros do navio estavam a beber umas "louras" da Melo Abreu  numa das esplanadas das Portas do Mar. Mas não era bem assim; estavam mais era a aproveitar o "hotspot wifi" para porem o "vicio" e a correspondência em dia.
Para os "Tarzans" do costume e aos banhistas de Primavera e Verão, o que interessava era o sol radioso que se fazia sentir. O navio pouco mais fazia do que sombra.





E no meio dos visitantes iam aparecendo umas "aves raras" como estes dois seres masculinos (em baixo), "travesties" septuagenários, vestidos de meninas em idade de escola, com meias brancas e cuecas de renda bem à vista. Em alguns "Spots" parecia que se estava no Castro District de San Francisco. Enfim, parece que não incomodaram ninguém, mas que tinham o firme propósito de impressionar ou provocar, lá isso pareciam ter.




No início do séc. XX, principalmente durante a Primeira Grande Guerra, e logo depois, alguns dos habitantes locais que precisavam de meios de subsistência e não os arranjavam em terra, metiam-se num bote a remos e iam tentar vender alguma fruta, rendas e bugigangas junto da amura dos navios ancorados no porto. Estes barcos eram conhecidos noutras paragens Asiáticas por "Bumboats" (canoas de madeira) e eram os que abasteciam o necessário aos navios ancorados afastados de terra.
Os passageiros içavam as compras e atiravam as moedas. As ditas que caíam à água eram "caçadas", com mergulho nas águas profundas, pelos "nativos" mais novos presentes no "bumboat". Naturalmente que, para muitos passageiros do navio, era mais interessante e divertido atirar moedas ao mar e ver os nativos mergulhar atrás delas a 8 ou 10 m de profundidade, do que comprar rendas e "bonecas-de-folheiro". Na ilha da Madeira acontecia algo de semelhante mas com maior intensidade.
Não sabemos onde vimos algo parecido ... . Enfim, quem precisa muito, precisa muito; e quem tem muito de sobra pode atira-lo ao ar e ver os outros a saltar. 

Foto em baixo: Ponta Delgada em 1919.


Ninguém escolhe o local onde nasce - mas talvez possa escolher onde vive; talvez
!
Nos dias que correm, os "mergulhadores das moedas" e os "vendedores ambulantes embarcados" foram substituidos pelos guias e pelos "condutores de Jipes" e outros "entertainers", a maioria deles "licenciados" em qualquer coisa. Para aqueles que não podem viajar naqueles navios, ao menos que deles tirem alguns tostões e justifiquem, assim, alguns subsídios da "União".

 Foto em baixo: Bumboats em Ponta Delgada, nos anos de 1940s.(Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s)

Em baixo: Ponta Delgada em 2017

Em baixo: Imagens da Madeira ( Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s) 
 




A grande afluência ao porto de Ponta Delgada não é coisa do séc. XXI. Desde o XIX e, em especial, desde a Primeira Grande Guerra (1914/18), o porto de Ponta Delgada vale pelo seu molhe de abrigo e, em segunda linha, pelo seu cais comercial. O recreio (navios de cruzeiro) é e será sempre um acessório.( Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s)



Em baixo: PDL-1957. Para a grande maioria das pessoas, cruzar o Atlântico (por necessidade) fazia-se por via marítima - quer para Lisboa, quer para outras paragens a Oeste ou a Leste. As viagens de recreio (cruzeiro) existiam, mas eram uma fracção marginal do global do movimento maritimo de passageiros.
Foto: HdA

Em Maio de 2019 a estação alta da passagem de cruzeiros ia acontecendo. Em baixo;
Os membros da familia Norwegian Cruise Line - Epic Jade Star. O outro, azul e branco, apesar de imponente, parecia um intruso.