A Mentira e a Verdade – Segundo o "Evangelho" de Fernando Pessoa
"Sou, em primeiro lugar, um raciocinador, e, o que é
pior, um raciocinador minucioso e analítico. Ora o público não é capaz de
seguir um raciocínio, e o público não é capaz de prestar atenção a uma análise.
Sou, em segundo lugar, um analisador que busca, quando em si cabe, descobrir a
verdade. Ora o publico não quer a verdade, mas a mentira que mais lhe agrade. Acresce
que a verdade - em tudo, e mormente em coisas sociais - é sempre complexa. Ora
o público não compreende ideias complexas....
Sou, em terceiro lugar, e por isso mesmo busco a verdade, tão imparcial quanto em mim cabe ser. Ora o público, movido intimamente por sentimentos não por ideias, é organicamente parcial... De aqui parece dever concluir-se que um estudo raciocinado, imparcial, cientificamente conduzido, de qualquer assunto é um trabalho socialmente inútil. Assim de facto é. É, quando muito, uma obra de arte, e mais nada". Vox et praeterea nihil (voice and nothing more : sound without substance).
Mas Fernado Pessoa não foi o primeiro a compreender as idiossincrasias dos grupos populares. Gustave Le Bon já tinha percorrido esse caminho. Há até quem afirme que outros as descobriram, e delas fizeram uso, milenios antes de Gustave Le Bon.

Sou, em terceiro lugar, e por isso mesmo busco a verdade, tão imparcial quanto em mim cabe ser. Ora o público, movido intimamente por sentimentos não por ideias, é organicamente parcial... De aqui parece dever concluir-se que um estudo raciocinado, imparcial, cientificamente conduzido, de qualquer assunto é um trabalho socialmente inútil. Assim de facto é. É, quando muito, uma obra de arte, e mais nada". Vox et praeterea nihil (voice and nothing more : sound without substance).
Mas Fernado Pessoa não foi o primeiro a compreender as idiossincrasias dos grupos populares. Gustave Le Bon já tinha percorrido esse caminho. Há até quem afirme que outros as descobriram, e delas fizeram uso, milenios antes de Gustave Le Bon.

