quinta-feira, 10 de maio de 2018



Vasco Pulido Valente, em “De mal a pior” (2016)
Nota da distribuidora Wook sobre o auto
r:



“Vasco Pulido Valente recusa aceitar mansamente a forma como o Estado pretende mandar na vida de todos, proibindo o tabaco, combatendo a comida pouco saudável ou forçando cada pessoa a zelar pelo seu corpo, quer queira quer não. Ao constatar que, na sociedade actual, «o indivíduo morreu», protesta e lamenta: «Não fui feito para isto»”.


Talvez seja uma raridade no mundo da crónica jornalística e editorial. Embora com acidez, enxerga desassombradamente o obvio, e talvez por isso tenha tantos seguidores nos jornais onde escreve.

terça-feira, 8 de maio de 2018


Theories and opinions about War - Clausewitz & others.

“War therefore is an act of violence intended to compel our opponent to fulfil our will.''
(...)
"War is neither a scientific game nor an international sport; it is an act of violence, characterized by destruction." 
 (...)
" ... war exists in the realm of chance. The most certain idea about war lies in the uncertainty of it."
(...) "War is only a branch of political activity… it is in no sense autonomous."
(...)‘War is nothing more than the continuation of politics by other means… For political aims are the end and war is the means, and the means can never be conceived without the end."
(...)
" When the … required outlay becomes so great that political object is no longer equal in value, the object must be given up, and peace will be the result. In wars where one side cannot disarm the other side entirely, the motives towards peace will rise and fall on each side depending on the probability of future success."

Carl von Clausewitz: ON WAR. Book 1, Chapter 1

 
"(...) There are two motives that lead men to war in the absolute and total sense, instinctive hostility and hostile intention
In terms of absolute war, Clausewitz discusses three characteristics that make it unique. First, the utmost use of force is necessary. Second, the aim is to disarm the enemy. Lastly, absolute war calls for the utmost exertion of powers. However, absolute war only exists in the abstract ..."
"(...) three objectives for success (in war). First, the armed forces of the opponent must be destroyed. Second, the country must be occupied. Third, the will of the enemy must be broken."  
"(...) Though Clausewitz admits that war could begin again directly after the peace, he argues that it only serves to prove that war does not carry in itself elements for a final settlement of peace. War, though not always constant, is continual. "
"
(...) Throughout Vom Kriege, Carl von Clausewitz, continually refers to a ‘remarkable’ or ‘paradoxical’ trinity which drives real war, composed of 1) primordial violence, enmity, and hatred 2) chance and probability, and 3) the element of war of subordination to rational policy. The trinity serves as a magnet to balance the three forces of war – the people, the military, and the statesmen. Clausewitz argues that the passions that kindle war must be innate in the people, the courage and talent of the commander and army plays into the realm of probability and chance, but the political aims are only the business of the government alone. Though, without the three branches working in harmony, war cannot be successfully waged."

 

 ‘What Clausewitz meant is that war… is not an autonomous game produced by fixed external or internal constraints; it is instead a matter of political choice, reflecting all the variety of political purposes that make wars into exterminations.’ 
(Doyle 1997: 23)


“Older men declare war. But it is youth that must fight and die.”
― Herbert Hoover
 
“When the rich wage war it's the poor who die.”
― Jean-Paul Sartre, Le diable et le bon dieu
 
“I am young, I am twenty years old; yet I know nothing of life but despair, death, fear, and fatuous superficiality cast over an abyss of sorrow. I see how peoples are set against one another, and in silence, unknowingly, foolishly, obediently, innocently slay one another.”
― Erich Maria Remarque, All Quiet on the Western Front
 
“A true war story is never moral. It does not instruct, nor encourage virtue, nor suggest models of proper human behavior, nor restrain men from doing the things men have always done. If a story seems moral, do not believe it. If at the end of a war story you feel uplifted, or if you feel that some small bit of rectitude has been salvaged from the larger waste, then you have been made the victim of a very old and terrible lie. There is no rectitude whatsoever. There is no virtue. As a first rule of thumb, therefore, you can tell a true war story by its absolute and uncompromising allegiance to obscenity and evil.”
― Tim O'Brien, The Things They Carried
 
“He who joyfully marches to music rank and file has already earned my contempt. He has been given a large brain by mistake, since for him the spinal cord would surely suffice. This disgrace to civilization should be done away with at once. Heroism at command, senseless brutality, deplorable love-of-country stance and all the loathsome nonsense that goes by the name of patriotism, how violently I hate all this, how despicable and ignoble war is; I would rather be torn to shreds than be part of so base an action! It is my conviction that killing under the cloak of war is nothing but an act of murder.”
― Albert Einstein
 
“Religion isn't the cause of wars, it's the excuse.”
― Jasper Fforde, The Eyre Affair
 
“Rules are for children. This is war, and in war the only crime is to lose.”
― Joe Abercrombie, Last Argument of Kings

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Caloura - São Miguel - Açores


Os cruzeiros da temporada primaveril de 2018 (Abril) também passaram pela Caloura e por toda a costa sul da ilha de S. Miguel. Todavia são mundos diferentes, que não se intersectam, e que vivem cada um de forma autónoma. A passagem do navio não comove nem os que estão na piscina ou restaurante do cais, nem os que estão no restaurante ou bar do hotel.   É apenas uma maravilha técnica que passa; sinal de civilização alheia que "pouco" resultou da nossa iniciativa, acção ou condução.
   
 
 
Caloura Hotel & Resort 





Não podemos determinar qual é o melhor recanto da ilha para veraneio. Essa avaliação depende sempre das referências pessoais ou culturais de cada um, dos seus requisitos de recreio e das sua memórias e experiências passadas. De qualquer forma, a Caloura está seguramente bem próxima dos locais cimeiros das preferências dos locais e de muitos estrangeiros.



 

 Convento da Caloura

"No formoso Vale de Cabaços, próximo do seu porto, entre as rochas moldadas pelo fogo dos vulcões, incessantemente batidas e galgadas pelo mar do Atlântico, ergue-se a ermida do convento da Caloura."
"(...) A história desta Casa Recoleta remonta a 4 de julho de 1525, altura em que a Vila Franca do Campo estava a sofrer com os malefícios da peste. Para escapar à devastação deste mal contagioso, um nobre varão chamado Jorge da Motta, Cavaleiro do Hábito de Avis, fugiu para uma quinta sua e aí criou a sua filha Petronilha da Mota, mais tarde, Maria de Jesus (nome religioso) que logo fez amizade com Maria dos Anjos. Estas decidiram servir a Deus na condição de se tornarem religiosas numa ermida em Santa Clara, em Ponta Delgada. No entanto, nunca chegaram ao destino inicial pretendido, pois ao chegarem ao cume da ladeira do Pisão e vendo no vale da Caloura uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição decidiram que tinha sido inspiração divina fazerem morada nessa mesma ermida. Viveram as duas companheiras na ermida, seis meses, numa clausura total. Só depois, outros peregrinos, ao verem a devoção das duas amigas, acabaram por se juntar a estas. Com a Bula Apostólica, o Convento passa a ser aceite oficialmente como mosteiro e aí, durante dez anos viveram 27 freiras. No entanto, como o mosteiro estava junto ao mar e era um lugar despovoado, as freiras temiam os piratas que naquela altura navegavam aqueles mares. Isto obrigou as freiras a se mudarem daquele mosteiro e, consequentemente, a fundarem um outro em Vila Franca, o Mosteiro de Santo André. Também mais tarde, outras freiras, da mesma Casa Recoleta da Caloura, fundaram o Convento de Nossa Senhora da Esperança, na cidade de Ponta Delgada. Ficou, deste modo, o Convento da Caloura deserto até ao ano de 1663, altura em que o Bispo D. João Pimenta D’Abreu deu licença aos Eremitas de Nossa Senhora da Conceição para o virem habitar, uma vez que o convento destes tinha sido destruído pelos sismos e vulcões que na altura assolavam as Furnas.   Atualmente pertence aos herdeiros de António de Albuquerque Jácome Correia. Classificado pelo Governo Regional como Imóvel de Interesse Público, o Convento da Caloura, é realmente uma obra religiosa de grande valor cultural, arquitetónico e patrimonial."
http://lagoa-acores.pt/

Pelo Cerco e pela Galera o ambiente não era muito diferente.

A "Primavera dos Navios Cruzeiro" no Atlântico Norte (Ponta Delgada - Açores - 2018)


Terminada a temporada de recreio das Caraíbas, há que mudar a frota de cruzeiro para o Mediterrâneo, para o Báltico e para os Fiordes. Pelo caminho estão os Açores e a Madeira. Antes paravam regularmente na última e esporadicamente na primeira. Na passada semana (última de Abril.2018) foram à volta de duas dezenas numa só semana em Ponta Delgada.




A notícia é usualmente espalhada com pompa e em tom triunfal, por aqueles locais que não metem o seu dinheiro naquele negócio nem vivem das receitas do turismo de cruzeiro. É verdade que se alugam na Ilha alguns autocarros, jipes e outros veículos, e que se vendem, na Avenida Marginal, bastantes "bonecas de folheiro" e cerveja fresca. Todavia poucos, ou nenhuns, expõem, lado-a-lado, os custos destas operações (totais, directos e indirectos) para a Região Autónoma e os proveitos líquidos que na Ilha ficam. Era também interessante comparar quanto paga (no total) cada navio da Transinsular, por tonelada de Deslocamento (displacement, loaded), por dia acostado ao cais de Ponta Delgada, e quanto paga um navio de cruzeiro destes (por tonelada do mesmo tipo de Deslocamento) e em período semelhante e no mesmo local.
Esperemos que, no fundo, depois de feitas todas as contas, não se esteja a pagar para estes cruzeiros pararem na Ilha.

Que existe algum efeito multiplicador nas paragens destes cruzeiros na Ilha, existe. Irão dar notícia deste (solarengo ou chuvoso) paraíso nas suas terras de residência. O que está por apurar é a taxa de adesão que se gera nesse auditório (quantos visitantes novos aparecerão por cada 1000 que passarem em cruzeiro na Ilha).

Imagem interessante (em baixo), com ambiente cosmopolita no Pesqueiro, quase como com o Mundo a desfilar aos pés dos banhistas de fim-de-semana.



Foto (em baixo) elucidativa do movimento do último fim-de-semana de Abril (2018) em Ponta Delgada. Desconhecemos a origem da foto, mas que representa bem o inusitado ambiente do dia, representa.


Em baixo: Navio Camberra em Ponta Delgada, em 1984. Foto: HdA
Em baixo: porto de Ponta Delgada em 1997 (à 21 anos), com 3 navios cruzeiro em simultâneo a partilhar o cais comercial e o da NATO.  Nessa altura considerava-se que o porto "chegava para as encomendas" e ainda sobrava. Depois mudou-se de opinião, construiu-se mais um cais e tentou-se mudar a realidade ("encomendado" mais navios) para provar que se justificava a mudança de opinião. Pelo meio ficou o grosso da despesa local (construção e manutenção) e o benefício para os operadores dos cruzeiros. Pelo meio ficou marginal receita local associada ao aluguer duns autocarros e jipes, da venda dumas "bonecas de folha" e dumas cervejas importadas.
Sobre o balanço desta operação boa parte da população Açoriana tem uma ideia proxima daquilo que por ali se passou e passa ... mas a coisa está feita, e ... "c'est la vie". Foto: HdA




Ponta Delgada (em baixo), em 2018, no seu dia-a-dia, com ou sem cruzeiros.

Parecia que os passageiros do navio estavam a beber umas "louras" da Melo Abreu  numa das esplanadas das Portas do Mar. Mas não era bem assim; estavam mais era a aproveitar o "hotspot wifi" para porem o "vicio" e a correspondência em dia.
Para os "Tarzans" do costume e aos banhistas de Primavera e Verão, o que interessava era o sol radioso que se fazia sentir. O navio pouco mais fazia do que sombra.





E no meio dos visitantes iam aparecendo umas "aves raras" como estes dois seres masculinos (em baixo), "travesties" septuagenários, vestidos de meninas em idade de escola, com meias brancas e cuecas de renda bem à vista. Em alguns "Spots" parecia que se estava no Castro District de San Francisco. Enfim, parece que não incomodaram ninguém, mas que tinham o firme propósito de impressionar ou provocar, lá isso pareciam ter.




No início do séc. XX, principalmente durante a Primeira Grande Guerra, e logo depois, alguns dos habitantes locais que precisavam de meios de subsistência e não os arranjavam em terra, metiam-se num bote a remos e iam tentar vender alguma fruta, rendas e bugigangas junto da amura dos navios ancorados no porto. Estes barcos eram conhecidos noutras paragens Asiáticas por "Bumboats" (canoas de madeira) e eram os que abasteciam o necessário aos navios ancorados afastados de terra.
Os passageiros içavam as compras e atiravam as moedas. As ditas que caíam à água eram "caçadas", com mergulho nas águas profundas, pelos "nativos" mais novos presentes no "bumboat". Naturalmente que, para muitos passageiros do navio, era mais interessante e divertido atirar moedas ao mar e ver os nativos mergulhar atrás delas a 8 ou 10 m de profundidade, do que comprar rendas e "bonecas-de-folheiro". Na ilha da Madeira acontecia algo de semelhante mas com maior intensidade.
Não sabemos onde vimos algo parecido ... . Enfim, quem precisa muito, precisa muito; e quem tem muito de sobra pode atira-lo ao ar e ver os outros a saltar. 

Foto em baixo: Ponta Delgada em 1919.


Ninguém escolhe o local onde nasce - mas talvez possa escolher onde vive; talvez
!
Nos dias que correm, os "mergulhadores das moedas" e os "vendedores ambulantes embarcados" foram substituidos pelos guias e pelos "condutores de Jipes" e outros "entertainers", a maioria deles "licenciados" em qualquer coisa. Para aqueles que não podem viajar naqueles navios, ao menos que deles tirem alguns tostões e justifiquem, assim, alguns subsídios da "União".

 Foto em baixo: Bumboats em Ponta Delgada, nos anos de 1940s.(Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s)

Em baixo: Ponta Delgada em 2017

Em baixo: Imagens da Madeira ( Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s) 
 




A grande afluência ao porto de Ponta Delgada não é coisa do séc. XXI. Desde o XIX e, em especial, desde a Primeira Grande Guerra (1914/18), o porto de Ponta Delgada vale pelo seu molhe de abrigo e, em segunda linha, pelo seu cais comercial. O recreio (navios de cruzeiro) é e será sempre um acessório.( Fotos de História dos Açores em Imagens - 1940s)



Em baixo: PDL-1957. Para a grande maioria das pessoas, cruzar o Atlântico (por necessidade) fazia-se por via marítima - quer para Lisboa, quer para outras paragens a Oeste ou a Leste. As viagens de recreio (cruzeiro) existiam, mas eram uma fracção marginal do global do movimento maritimo de passageiros.
Foto: HdA